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Clube do Livro: Feminilidade Radical

maio 23, 2017

Esse livro foi lançado em português pela Editora Fiel nas proximidades do Dia Internacional da Mulher deste ano. Comprei assim que vi, porque já conhecia a Carolyn McCulley de blogs em que ela costuma escrever (dentre eles, o Desiring God, do John Piper, o The Gospel Coalition, True Woman, etc).

Quando o livro chegou, fiquei animadíssima, pois de cara você percebe que ele é diferente. A capa modernosa, preta e pink, com flores psicodélicas na capa e nas divisões de cada capítulo já vão mostrando que a abordagem é um pouco diferente das abordagens “compotas de maçã” que existem por aí (caso ainda não tenha ouvido minha teoria sobre as compotas, um dia explico com calma. Por enquanto, apenas esclareço: nada contra compotas, muito menos as de maçã. Aliás, nada contra as abordagens nesse estilo, apenas não é a minha!). E aí, conforme fui lendo, ou melhor, devorando o livro, só comprovei a minha impressão: este é um livro diferente de tudo o que já li sobre a feminilidade bíblica, e vai por mim, você PRECISA ler!

Título: Feminilidade Radical – fé feminina em um mundo feminista

feminilidade radicalAutora: Carolyn McCulley é jornalista, autora, palestrante e cineasta. Ex feminista convicta, o que faz dela uma das melhores e mais indicadas pessoas para falar sobre o tema. Não é à toa que o livro é tão incrivelmente bem articulado, recheado de fatos históricos e de uma sólida argumentação que aponta com clareza todos os benefícios que o feminismo trouxe em todas as suas ondas, e também o perigoso engano que se infiltrou na igreja em decorrência dele. Esse livro é ótimo, essa autora é espetacular e escreveu outros dois livros, um sobre a vida solteira (ela é solteira), e outro, que estou lendo agora pelo kindle, que é SENSACIONAL e que infelizmente ainda não tem traduzido para o português, chamado: Measure of success – uncovering the biblical perspective on women, work, and the home, que fala sobre a mulher, o lar e o trabalho. Um show de livro. Virei fã dela, pela escrita profunda e leve ao mesmo tempo, jornalística, embasada biblicamente, enfim… leia o livro!!

Editora: Fiel

Páginas: 364

Sobre o livro:  Carolyn McCulley conheceu a Cristo como seu único e suficiente Salvador aos 30 anos, quando já era jornalista formada, com ênfase em Estudos Femininos, e trabalhava como editora de uma grande revista norte-americana. De repente, sua vida virou de ponta cabeça, pois, ao estudar a Bíblia com profundidade, Carolyn começou a perceber que tudo aquilo que ela sempre aprendera como verdade acerca da mulher, do empoderamento feminino e da opressão que os homens exerciam sobre a mulher eram, na verdade, conhecimentos baseados em uma visão totalmente distorcida de Deus e seus propósitos. Ao conhecer melhor a Bíblia, e compreender quem Deus é, como Ele criou homem e mulher ambos à Sua imagem e semelhança, iguais em essência, iguais em propósito, porém diferentes em função, Carolyn percebeu que as ondas do feminismo infiltraram enganos fatais na visão que as pessoas tem acerca de Deus e seu plano para as mulheres. Portanto, apesar dos muitos e reconhecidos benefícios que os esforços feministas garantiram e tem garantido às mulheres ao longo das últimas décadas, como o direito a voto e a menor disparidade salarial no campo de trabalho, essa distorção da visão e plano divinos de Deus para a mulher tem feito crescer uma confusão acerca de papeis, valores e vida cristã feminina no mundo de hoje.

O livro tem 8 capítulos, divididos para falar sobre a perspectiva histórica do lar, do feminismo e do papel da mulher na sociedade, um capítulo dedicado ao assunto tão mal-entendido da SUBMISSÃO bíblica (excelente capítulo! Excelente. Ela diz o quanto tinha horror a essa palavra, e o quão desafiador foi aproximar-se da Bíblia para saber o que de fato Deus tinha a dizer sobre isso – e o quanto ela se surpreendeu com o plano de Deus para o casamento!), e outros dedicados ao lar e ao trabalho que é feito em casa (cada vez mais menosprezado, independente da mulher trabalhar fora ou não – aliás, ela aponta que a questão  nem é essa), maternidade, sensualidade e vulgaridade e, por último, a fé feminina. O livro conta ainda com materiais de apoio para aconselhamento e condutas em caso de abuso.

Um pequeno trecho:

“É desconfortante pensar que à idade de trinta anos tive de aprender que existem diferenças fundamentais entre homens e mulheres. Mas eu cresci com o dogma feminista de que diferenças de gênero são culturalmente criadas – que, à parte das diferenças estruturais óbvias, somos inerentemente iguais. Pesquisas médicas tem desmantelado essa teoria nos últimos anos à medida que descobrimos diferenças biológicas significativas entre homens e mulheres, especialmente na área de anatomia e do funcionamento do cérebro. Como um artigo sobre neurociência afirmou, as diferenças entre os sexos são mais complexas do que originalmente se suspeitava. […]

Nossas estruturas cerebrais diferentes indicam que homens e mulheres processam estímulos, emoções e memórias diferentemente uns dos outros.  Essencialmente, somos planejados para funcionar diferentemente. No entanto, pesquisadores enfatizam que não há qualquer diferença entre homens e mulheres no que se refere a QI ou inteligência. Nossos cérebros confirmam o que a Escritura nos diz: homens e mulheres são iguais em essência, mas criados para funcionar diferentemente.”

 Repito, a visão bíblica e histórica bem fundamentada é surpreendente, e é um livro que eu recomendaria para qualquer mulher, de qualquer idade! Ótima dica de presente inclusive!

Um abraço a todas, e até a próxima,

Naná

 

Clube do Livro – Aprendendo a orar com quem ora

maio 7, 2017

Oi pessoal!

Continuo animada e em dia com o meu projeto de leitura desse ano, e hoje vim compartilhar a resenha de mais um livro. Como já combinei no post anterior, se você clicar no título do livro, será direcionada para a página da editora para obter maiores informações.

aprendendo-a-orar-com-quem-ora_gTítulo: Aprendendo a orar com quem ora: um estudo das grandes orações da Bíblia

Autor: Hernandes Dias Lopes e Arival Dias Casimiro. O primeiro, bem conhecido devido à sua participação expressiva nas mídias sociais e em grandes conferências cristãs e reformadas, é pastor em Vitória, Espírito Santo e autor de mais de 100 livros cristãos. O segundo também já publicou outras duas obras, e é pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, São Paulo.

Editora: Hagnos (usando o selo editorial United Press)

Páginas: 157

Lançado em: 2015

Sobre o livro: O objetivo do livro é apresentar exemplos de pessoas da Bíblia que oraram nas mais diversas circunstâncias, e o que podemos aprender com cada uma dessas orações. Eles apresentam as orações de Jesus (4 delas), Moisés, Neemias, Jonas, Daniel, Tiago, Abraão, Jacó, Ezequias e dos discípulos de Cristo. Contextualizam as orações na história, para que possamos apreender também todos os sentimentos que permeavam cada situação, e o que podemos extrair delas para fortalecer a nossa própria vida de oração.

Fica bem claro o que já consta inclusive na Bíblia: nós não sabemos orar como convém!! Mas certamente podemos aprender muito com os exemplos bíblicos, principalmente com as orações de Jesus, enquanto viveu aqui na Terra de modo perfeito.

O título pode causar a impressão de que o livro é um passo-a-passo, um guia de como orar, mas não é esse o caminho. Melhor do que isso, a ideia de cada capítulo realmente é provocar no leitor uma reflexão mais aprofundada sobre a oração, e como ela realmente tem a intenção divina de nos aproximar dEle. Se tão somente orássemos….

O livro é muito bom. Eu confesso que tive um pouco mais de dificuldade na leitura, por conta do estilo da escrita. Não é monótono nem chato, não me levem a mal, mas é um livro mais reflexivo de talvez de um estilo mais “formal” do que estou habituada para essa categoria de leitura. Além disso, o tema dessa vez foi escolhido bem a dedo por mim, pois tenho plena consciência da necessidade que tenho de melhorar a minha vida de oração. Não tenho o hábito de ler livros sobre o assunto, e ele me despertou também para isso! Estudar as orações da Bíblia é algo de imenso valor quando precisamos e queremos aprender a orar. Vale a pena!

Um pequeno trecho, do capítulo 3: Neemias – o mundo precisa de intercessores:

Um dos truques do diabo é manter-nos tão ocupados que não encontramos tempo para orar. Se Neemias não fosse um homem de oração, o futuro de Jerusalém teria sido outro. A força da oração é maior do que qualquer combinação de esforços na terra. A oração move o céu, desencadeia grandes intervenções de Deus na história. Alguém já disse com acerto: ‘Quando o homem trabalha, o homem trabalha; quando o homem ora, Deus trabalha’.

[…] O mundo precisa desesperadamente de intercessores. A igreja precisa desesperadamente de intercessores. Mas, quais são os atributos de um intercessor? Ele é alguém que sente o fardo dos outros sobre si […], reconhece a soberania de Deus sobre si […],  firma-se na fidelidade de Deus[…], importuna Deus com suas súplicas […], reconhece seus pecados e os confessa[…] , ele se estriba nas promessas da Palavra de Deus[…],  e associa devoção e ação. (páginas 33-40).

Enfim, recomendo! Você já leu? Compartilha com a gente!

Beijos a todas e uma ótima semana,

Naná

 

Desastres culinários – porque todo mundo tem um(ns)!

abril 12, 2017

Hoje resolvi fazer um creme de abacate como sobremesa para os meus filhos. Inspirada  principalmente por esse outono que essa semana levou meus dois filhos E MARIDO para um estado virótico acamado nada tranquilo e nada favorável, pensei em receitas que pudessem aumentar a imunidade da tropa toda. Como tinha abacate na fruteira, inventei logo que faria um Creme do Hulk e criei a maior expectativa nas crianças.

Dada a hora de fazer a receita, chamei os dois para ajudar, aquela coisa, e eis que quando abro o abacate… verde. Verdíssimo. Duro nível batata crua. Impossível retirar a polpa daquela forma romântica, em que você encosta a colher e ela sai, linda e verde e cremosa, direto para a guacamole. Após consultar fontes diversas e receber orientações para dar um novo rumo ao abacate, insisti. Afinal, o que pode dar errado quando a receita leva leite condensado?

dislikeEnfim, cortei o abacate em pedaços, joguei uma lata de leite condensado por cima e levei ao liquidificador. Pessoal… não deu certo. O abacate logicamente não se misturou por completo ao leite condensado, e ficou em mini pedacinhos. Por estar verde, estava muito amargo. O resultado foi uma papa verde clara, cheia de gruminhos ruins e amargos. Porque não desisto nunca, coloquei num refratário e deixei na geladeira por 4 horas. Não resolveu. Perdi o abacate, mas o pior: perdi uma lata de leite condensado!!

Esse poderia ser o meu maior desastre culinário, mas na verdade só me inspirou para fazer o post. Meu maior desastre, líder isolado, fiz ainda solteira, na batalha para terminar o Mestrado. Essa é a única coisa que pode agir em minha defesa, já que isso já faz mais de 10 anos. Acho que está na hora de trazer ao conhecimento público.

Uma noite, estava eu às voltas com a minha dissertação de mestrado, e meus pais saíram para algum lugar. Sozinha e com fome, e precisando desanuviar o cérebro, fui para a cozinha e encontrei um vidro de palmito. Amo palmito, em todas as suas formas e apresentações. Voltei para a internet e peguei uma receita de sopa creme de palmito. Estava frio, eu com fome, seria tudo perfeito, e eu terminaria de escrever meus resultados naquela noite mesmo, de tão satisfeita que estaria.

Tudo ia bem, até que eu resolvi pensar na minha saúde. E aí, quando vi “farinha de trigo” na receita, pensei:  “puxa, eu bem que podia evitar farinha branca, nem sei por que ela está aqui, onde já se viu farinha na sopa? Deixa eu ver na despensa se não tem nada para substituir’. Procurando pelas prateleiras, eis que encontro ele: o inesquecível TRIGO PARA QUIBE.

Há! Pensei. Ótimo. Vou substituir metade da farinha por trigo para quibe, aí faço uma… sopa integral.

Eu sei.

Sim, eu sei o que você está pensando.

Mas acredite… naquela hora, eu não estava pensando. Estava ali e tal, super animada, mas não estava assim, tipo… pensando.

E eu coloquei trigo para quibe na minha sopa de palmito.

Pois é.

Como você deve imaginar, não, ele não dissolveu. Não, a sopa não engrossou. Sim, pelotas de trigo se formaram e boiaram na minha sopa de palmito. Não deu para comer.  Esse é, de longe, o meu maior desastre culinário. Nada supera, e acho que nada superará.

Hoje eu vejo que podemos mesmo aprender com tudo, até com as experiências desastrosas! Abacate verde é amargo e não vira creme, e trigo para quibe (caso mais alguém tenha dúvidas) NÃO ENGROSSA SOPA!!!

Agora me conte o seu! Com certeza tem coisa semelhante por aí… pior, não digo, mas semelhante…. qual o seu maior desastre culinário? Confesse aqui, e vamos aprender com eles também!

Beijos

Naná

 

Clube do Livro – “Pecados Intocáveis”

março 17, 2017

Em janeiro deste ano, enquanto passeava pelo facebook, encontrei um desafio de leitura de um blog cristão que acompanho há tempos. A proponente colocou o propósito de ler 13 livros durante o ano de 2017, o que daria uma média de 1 livro a cada 04 semanas – ou então, o desafio Supreme Master Pitbull (eu que dei esse nome, ok?) para os mais avançados, 26: um a cada duas semanas.

Como quem propôs é uma blogueira mãe de 5 filhos, sendo dois pares de gêmeos meninos e uma recém-nascida, todos menores de 6 anos, senti-me completamente constrangida de tentar alegar falta de tempo para aderir pelo menos à versão mais light do negócio, e comprei a ideia. Dos 13 livros, ela não te “obriga” a ler os mesmos da lista dela, mas te indica categorias para que você busque diversificar o estilo. Não te induz a ler somente livros cristãos, mas te encoraja para que a maioria deles seja para crescimento espiritual.

Achei isso muito inteligente, porque atualmente ando numa coisa doida de que se o livro tem “FILHOS” no título, eu compro. Claro que é o meu momento de vida etc, mas percebi que tenho deixado de buscar recursos muito úteis para a minha edificação e crescimento em outras áreas também, como vida cristã, história da igreja, além de ler biografias e buscar recursos sobre vida saudável, etc etc.

Enfim, em meados de março estou animadíssima na metade do meu quarto livro do ano! Puxa, como estou feliz por ter aderido esse desafio. De tão feliz, e de tão “com saudade” do blog, resolvi fazer uma resenha de cada livro que eu for lendo durante o ano e compartilhar com vocês, ok? Se vocês já leram algum deles, adoraria interagir com vocês, trocando ideias sobre os títulos e aprendendo mais ainda…. como se fosse um clube do livro mesmo!

Sem mais delongas, vamos à primeira resenha! Para facilitar a vida, se você clicar no título do livro, será direcionada à página da editora, caso queira adquiri-lo!

pecados-intocaveis-jerry-bridgesTítulo: Pecados Intocáveis

Autor: Jerry Bridges – é um renomado escritor cristão, autor de diversos outros livros consagrados, dos quais destaco “O Evangelho para a vida real” (faz parte do desafio, devo ler no segundo semestre!). Foi o primeiro livro dele que li, e gostei demais do estilo franco, profundo e encorajador que ele usa.

Editora: Vida Nova

Páginas: 173

Sobre o livro: O objetivo é tratar sobre aqueles pecados com os quais a igreja infelizmente aprendeu a “conviver”. Sim, porque dentro da igreja nós não toleramos adultério, exortamos veementemente o vício em drogas, e sabemos com clareza que assassinato, roubo e traição são pecado. Mas… o que fazemos com a fofoca, ira, mania de julgar, falta de controle na alimentação, orgulho, egoísmo, mundanismo, ingratidão, insatisfação, ansiedade…?

Pois é. Essa é a ideia. São nossos pecados de estimação, estão ali, mas ninguém mexe com eles. Às vezes até esquecemos que são pecado! O cristão que exorta o adúltero chega em casa e se entrega aos prazeres da glutonaria, comendo como se não houvesse amanhã, fazendo piada disso e ninguém fala nada. Nem ele.

Jerry Bridges faz uma abordagem franca, incrível e em alguns momentos até dolorida dessa realidade, ajudando o leitor a perceber o quanto ainda temos de pecado infiltrado, às vezes até disfarçado na vida diária, e do quanto TODOS NÓS precisamos desesperadamente do Evangelho. O livro começa com 6 capítulos falando justamente sobre isso: sobre a nossa necessidade da graça salvadora de Cristo e do poder do Evangelho na nossa vida. E eu vou te falar, até eu começar a ler o sétimo capítulo eu não entendia por que tanta ênfase do autor nisso, eu meio que lia pensando “ok, disso eu já sei e tals”…. de repente, comecei a ver a minha vida espelhada no livro, descrita com tanta franqueza que eu só pude clamar e dar graças a Deus pela CRUZ!

Um pequeno trecho, do capítulo final:

“O mundo vive de olho em nós, mesmo quando desdenha de nossos valores e rejeita nossa mensagem. Podemos achar que nossos pecados sutis estão escondidos de seus olhos, mas, de alguma forma, o mundo os enxerga. As pessoas notam nosso moralismo, nossa ira e nosso espírito crítico. Elas nos veem como “santarrões”, ou como hipócritas que não praticam o que pregam. Lidar com nossos pecados “aceitáveis” com humildade e honestidade contribui muito para desfazermos essa imagem. Gostaria de repetir a advertência de 1 Pedro 5:5 – “Deus se opõe aos arrogantes, mas dá graça aos humildes”. (p.173)

Recomendo fortemente a leitura deste livro, mas tenho a esperança de motivá-las não apenas a lê-lo, mas a sondar o coração com humildade, honestidade e verificar quais são os seus pecados intocáveis… para pedir a graça de Deus para viver uma vida cada vez mais limpa diante dEle. E, se precisarem de um recurso adicional para isso, aí sim… leiam mesmo o livro! Vale demais a pena.

Um abraço a todas, e até a próxima,

Naná

O pneu furado

junho 8, 2016

Puxa, que saudade do blog. Saudade real. O acúmulo de funções da nova vida de professora em tempo integral, mãe de duas crianças pequenas em tempo integral, esposa em tempo integral e dona de casa no tempo que sobra (oi?? Vida longa ao freezer e aos marmitex!), me fez escolher deixar de escrever no blog por um tempo. Não esqueço dele não, aliás fico num misto de alegria e constrangimento sempre que alguém carinhosamente me lembra dele. Gostaria de escrever mais. Escrever me faz tão bem!!! Fiquei animada com uma recordação carinhosamente compartilhada por uma seguidora hoje, a Juliana, e resolvi escrever.

No final de novembro do ano passado, busquei meus dois filhos na escola no final da tarde e estávamos começando nossa viagem de volta para casa (moro a 60km do trabalho e escola das crianças). Na primeira curva, primeiraaaaa, estraçalhei o pneu do carro num buraco gigante, que sempre esteve lá, mas que dessa vez eu me distraí porque estava procurando o cd do sapo que não lava o pé, que duas pessoas ansiosíssimas pediam sem parar. Pronto. Pneu furadíssimo. Eu e duas crianças. 60km de distância de casa. Marido em casa. Marido a 60km de distância.

Não, eu não sei trocar pneu, e na verdade vocês me desculpem e tal, mas falo isso numa boa, não sei mesmo e queria o meu marido ali. Um pânico brotou no meu coração naquela hora. O que é que eu vou fazer? O cenário é sempre o pior, “vai anoitecer logo logo e eu aqui sozinha com eles dois no meio da rua, vão aparecer 250 bandidos mascarados malignos etc etc etc”. Fiquei super nervosa. Consegui encostar num posto de apoio que tinha ali bem perto e pensei “e agora?”.

Enquanto todo esse cenário pavoroso se passava pela minha cabeça e eu tentava pensar no que fazer, ligava pro marido, e tentava achar o telefone do seguro, ou da escola, ou de alguém que morasse ali por perto e que pudesse me ajudar, olhei para o banco traseiro. Ali, encontrei duas crianças animadíssimas: “e sepe ne leve e pê, ne leve perque ne quê… ele mere Le ne leguêe, ne leve e pê perque ne quê, mês que chelê!! I sipi…..”

Nem aí. Meus dois filhos não estavam NEM AÍ. Cantavam como antes, tranquilos e numa boa. Olha, a mamãe parou o carro! Ô sopo no lov….

Nem aí. Olhei para eles e comecei a chorar. Me deu vontade tremenda de ser filha naquela hora. Sim, de ser “só filha”. De estar naquele carro, o pneu furar e eu continuar numa boa, porque a mamãe estava ali. O papai certamente chegaria se precisasse, mas a mamãe estava ali. Ela deve cuidar disso. Tranquilo, vida que segue. U supu….

Depois de algum tempo, consegui contato na escola das crianças e um pai comovido com a situação passou lá no posto e trocou o pneu pra mim, em menos de 10 minutos. Como ele foi com o filho, coloquei o menino com os meus dois no carro e arrumei um pacote de biscoito de chocolate. Comeram animadíssimos, ao som do sapo e do pirulito que bate-bate. Terminado o serviço, agradeci até ficar rouca praticamente, e voltei pra casa.

Quando entrei em casa, a primeira coisa que as crianças falaram para o pai foi: “Pai!! Hoje foi muito legal! A mamãe parou o carro e a gente fez piquenique com um menino da escola!!!!!”

Meus olhos marejaram de novo. Ah… como é diferente a perspectiva dos pais e dos filhos! Meu papel ali era de cuidar de tudo. Fiquei tensa, nervosa, com medo, preocupada. Meus filhos curtiram o programa diferente. A mamãe estava ali. E, graças a Deus, tudo acabou bem.

Sabe por que eu lembrei dessa história? Porque eu estou passando por uma fase de “pneu furado” na vida. Quatro dias depois desse episódio do carro, meu marido perdeu o emprego. Isso foi há seis meses. As perspectivas no Brasil, como vocês devem saber, não são nada animadoras. Eu, como mãe, esposa, mulher, tudo, me preocupo com isso, me preocupo mesmo! E queria ser só filha de novo. Minha mãe me conta que meu pai ficou quase cinco anos desempregado quando éramos pequenos…. e eu? Eu nem lembro disso!! Devia estar comendo bolacha de chocolate e cantando pintinho amarelinho. A mamãe e o papai estavam ali. E, graças a Deus, tudo acabou bem.

Em meio a essa tensão e de pensar no quanto eu queria “ser filha”, fui lembrada de algo valioso. Eu SOU filha. Espera aí… eu sou filha! Filha de alguém que tem absolutamente tudo sob controle. Filha de alguém que até o vento e o mar obedecem à sua voz. Sou filha de Deus, o meu Pai, e Ele me lembrou nessa história toda de que, na vida, o meu papel é o de descansar… o Dele é o de guiar a minha vida de tal forma que eu não precise me preocupar com nada. “Aquietai-vos… e sabei que EU SOU DEUS”. (Salmo 46:10)

Filha, relaxe… descanse. O Papai está aqui. Faça a sua parte. “Coma a sua bolacha, cante suas músicas”. Eu estou cuidando de tudo. Não é seu papel ficar tensa, nervosa, com medo, preocupada. Descanse em mim. Eu estou aqui. E, como sempre tem sido, tudo vai acabar bem.

É… meus filhos me lembraram de mais uma: EU SOU FILHA… e posso descansar nisso. Como é bom ter um Pai que cuida de tudo!

Beijos a todas,

Naná

Obs: espero não ter deixado você com a música do sapo na cabeça. Mas, se deixei… bem-vinda ao meu mundo!

Uma cartinha para o João… em seu segundo aniversário

julho 6, 2015

Filho!

Nem acredito. Ainda ontem eu estava aqui refletindo sobre a derrota emblemática do Brasil contra a Alemanha na sua cartinha de 01 ano e hoje você está aí, todo moleque,risonho que só, dois anos, correndo pela casa toda e falando suas tão esperadas primeiras palavras.

Acompanhar seu desenvolvimento esse ano foi cheio de alegrias e surpresas, e eu me sinto verdadeiramente privilegiada por ter visto tudo isso de pertinho, independente da ordem em que suas primeiras palavras foram saindo (falar café antes de falar mamãe foi um desaforo, mas eu já superei! Hehehe).

Esse seu segundo ano de vida foi movimentado! O molequinho que existe em você se libertou, e aquele bebê pacato e dorminhoco que passava horas sentado batendo um mesmo brinquedo no chão deu lugar a um furacãozinho, que insistiu em aprender a correr antes mesmo de aprender a andar, e que tão logo desenvolveu as habilidades mínimas de andar e subir degraus, já estava escalando o sofá, a cama, o berço, o cadeirão, e qualquer coisa alta que estivesse disponível. Ou seja… foi também um ano de tombos, hematomas, e de me fazer pensar seriamente em desenvolver um capacete emborrachado para essa sua fase. Meninos!

Também experimentei um pouco da sua ira, quando lá pelos seus 15 meses de vida, você simplesmente resolveu que alimento era para os fracos e que, na qualidade de ser superior, você não precisaria mais dele para o seu crescimento… e fechou a boca!! Filho, o que foi aquilo???? Sério… o que foi aquilo. Como fico feliz em escrever essa carta já no passado, sabendo que essa fase passou, e que embora você não seja assim um devorador de comida como é a sua irmã miúda, pelo menos voltou a comer, e tem feito isso de forma regular. UFA! Foram exatos 29 dias de João sem fome, sem aceitar nada diferente de leite, bolacha e suco, e o pior (ou melhor?) é que não perdia peso…

Um dia vou te contar em detalhes o quanto isso foi difícil pra mim, e o quanto eu percebi minhas fragilidades e falhas como mãe. Percebi que era uma mamãe boazinha quando tudo acontecia do meu jeito e quando meus filhos me agradavam; e que eu era uma mamãe orgulhosa, muito orgulhosa, que achava que tinha que dar conta de tudo sozinha e ter os filhos perfeitamente alimentados, com refeições balanceadas em todas as refeições. Quando isso saiu do meu controle… Perdi a cabeça. Deus trabalhou demais comigo em meio a essa sua greve de fome, você nem imagina o quanto.  Então eu até te agradeço por isso filho, mas assim… eu acho que já aprendi ok? Não me inventa isso de novo!!! Hehehe

Foi também o ano de algumas medidas importantes de amadurecimento. Mamãe voltou a trabalhar, e com isso você também foi para a escola, junto com a Teté, que já ia. Foi difícil o começo, mas vê-lo todo feliz todos os dias arrastando sua mochilinha e correndo (sempre correndo, já reparou? É um mini maratonista!) quando entra e quando sai da escola enche o meu coração de alegria!!  Além disso, lá na escola o seu apelido  – JOÃO FURACÃO – também  me dá indícios de que você está assim… bastante adaptado, eu diria! Hehe

E teve ainda o fim do assunto chupeta!! Sim, mais cedo do que eu esperava, e pegou a todos nós de surpresa. Um belo dia você resolveu morder sua chupeta até furá-la por completo, e não aceitou nenhuma outra… mas queria aquela! Foram quatro horas (exatas, não tem exagero não) para dormir na primeira noite, eu e o seu pai beiramos o pânico naquele dia, hahaha, mas você nos surpreendeu ao dormir assustadoramente mais rápido na segunda noite, e na quinta noite o assunto já estava resolvido. Parabéns filhote! Podem parecer conquistas pequenas para quem já é grandão, mas para você são marcos importantes, e puxa, como eu fico feliz por fazer parte de tudo isso!!

Bom… isso foi um resumão do que se passou nesse último ano. Pensando no que eu poderia deixar registrado de especial nessa cartinha de dois anos, quero me basear em algo que aconteceu alguns dias antes desse seu aniversário, e que provavelmente você vai reparar nas fotos daqui a alguns anos: o seu primeiro corte de cabelo.

Papai e mamãe resolveram que era hora de você finalmente ter o seu primeiro corte de cabelo, e que seria muito legal fazer isso antes da sua festinha, para que você já saísse nas fotos de cabelo novo etc etc enfim, essa coisa toda que os pais inventam. Pois bem, acontece que a gente não conhecia nenhum cabeleireiro infantil por aqui, o da sua irmã é em São Paulo, e diante da urgência que criamos para essa necessidade… tudo isso nos levou a decidir que cortaríamos seu cabelo por aqui mesmo, e foi então que papai e mamãe (juntos, sempre juntos, jamais dissociarei os dois dessa decisão! Hahaha) decidiram marcar no tiozinho do salão do prédio, recém-inaugurado, e que com toda pompa disse que era PhD em cortes infantis.

Acontece, filho… que ele não era! Então seu primeiro corte de cabelo saiu assim ligeiramente aquém das nossas expectativas. Você chorou o tempo todo, não teve Galinha Pintadinha nem Turma do Cristãozinho que resolvesse, e como se não bastasse tudo isso, o suposto PhD em cortes infantis desceu a tesoura nas laterais do seu cabelo de um jeito inexplicável, e ainda quis me convencer que tinha ficado daquele jeito porque você não tinha muito cabelo!!!

Enfim. Saí de lá arrasada. Subi o elevador torcendo para que o seu pai não reparasse – HA-HA-HA. Foi a primeira coisa que ele fez, e nós passamos o restante da tarde e da noite olhando para você pensando em como consertar seu novo cabelinho, e se haveria conserto. Chegamos a uma conclusão: só o tempo mesmo, filho… vai crescer, e você não vai lembrar! Hehehe… ai ai

Em meio a tudo isso, algo saltou aos meus olhos: sua postura de criança. Embora naturalmente assustado com o ambiente, a tesoura, o moço maluco e tudo mais, depois do corte você estava como sempre: alegre, animado, brincando, curtindo tudo, sorrindo e nos abraçando. Mesmo de cabelinho torto, você continuava como sempre foi… tendo tudo o que precisa e ama por perto, o cabelo não importava!

“Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo a verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”. (Lucas 18:16-17)

Filho, o que eu desejo para você é exatamente isso. Que Deus te dê a força e a graça necessárias para crescer de tal forma que, independente de qualquer circunstância, sua escolha seja sempre a de estar alegre. Eu sei que essa dependência que hoje você tem de mim vai – e deve- passar um dia, mas a minha oração é que ela aumente a cada dia em relação ao nosso Pai Celestial. Sim, porque a mamãe erra… mas Ele? Ah… com Ele não tem erro. Depender dEle, descansar nEle, alegrar-se nEle, é a melhor escolha que você pode fazer na vida.

Fazendo isso, tanto faz se o dia foi bom ou ruim na escola; tanto faz se você foi o primeiro ou o último a ser escolhido para o time de futebol; tanto faz se seus amigos rirem de você porque você escolheu ser diferente e mantém sua vida pura e íntegra: tendo tudo o que precisa e ama por perto (e Deus é tudo de que você precisa!!), nada disso importará, e você poderá continuar seguindo a sua vida na dependência daquEle que te ama infinitamente, e que já tem o seu rumo traçado, os seus dias definidos e um plano maior, muito maior do que qualquer circunstância difícil que cruzar o seu caminho.

Dependência é uma palavra que o pessoal adulto geralmente não gosta, mas vai por mim, quando ela é relacionada ao Deus Perfeito e Criador de todas as coisas, ela é uma virtude a ser perseguida, e poupa a gente de muita dor de cabeça e preocupações desnecessárias.  Quanto mais cedo aprender isso, melhor! Nada nessa vida me alegrará mais do que ver você e a sua irmã buscando seguir, servir e depender daquEle por meio de quem todas as coisas existem: o nosso Deus!

Quanto ao mais, agradeço por finalmente ter me deixado começar a escovar os seus dentes sem antes travar comigo uma árdua batalha; um dia você ainda vai me agradecer por ter insistido todos os dias apesar dos constantes chutes e gritos de revolta. Se você acha que eu acabei, haha, vá se preparando, pois para esse ano teremos novidades… vamos aposentar as mamadeiras e substituir as fraldas por cuecas e pelo vaso sanitário… não diga que não avisei antes!!

Te amo, filhotinho, você não imagina o quanto. Meu coração se enche de alegria ao ver o quanto Deus tem abençoado a minha vida com você e com a Ester. Hoje vejo razão e sabedoria na mãe que disse que os dias de uma mãe de filhos pequenos são muito longos, mas os anos são curtos. Vocês crescem rápido demais… rápido demais. Só peço a Deus sabedoria, saúde e graça para aproveitar tudo isso ao máximo. E, no seu caso, muita energia também, porque eu nunca vi menininho mais enérgico!!!

Um beijo com todo o meu amor,

Mamãe

 

A rainha de Sabá

junho 24, 2015

“Tendo a rainha de Sabá ouvido a fama de Salomão, com respeito ao nome do Senhor, veio prová-lo com perguntas difíceis.” (1 Reis 10:1)

Olá! Hoje cedo, em minha devocional, li um trecho da Bíblia que me chamou a atenção, pois nunca tinha olhado para ele dessa forma. Isso é sempre fantástico, não é? Não importa quantas vezes lemos a Palavra, sempre aprendemos alguma coisa nova com ela. Decidi compartilhar com vocês o que li hoje. Foi extraído do livro “Mulheres que amaram a Deus – 365 dias com as mulheres da Bíblia” (Elizabeth George, 2001 – United Press), e espero que sirva para sua edificação como serviu para mim!

No século 6 aC, não existia uma rede de divulgação de notícias sobre Salomão, rei de Israel. As informações eram passadas bem devagar, conforme o passo das pessoas ou o andar dos camelos e jumentos. Lentamente, as notícias sobre esse rei sábio que servia a um Deus poderoso chegaram até Sabá, localizada a quase dois mil quilômetros ao sul de Jerusalém. Sentada em seu palácio, a rainha de Sabá deve ter refletido cuidadosamente sobre as várias informações recebidas. Certamente, ninguém poderia ser tão sábio e nenhum deus tão extraordinário assim…. mas, e se fosse verdade? As informações poderiam ser verdadeiras! Ela precisava ver com os próprios olhos.

A viagem a Jerusalém foi longa e dispendiosa. Os estudiosos calculam que a comitiva, composta de soldados, presentes, animais, suprimentos e servos viajou mais de 30km por dia durante 75 dias. Mas nada disso importava! Nenhum esforço era grande demais e nenhum preço alto demais em se tratando de assunto referente a sabedoria! E assim, aquela rainha partiu para Israel.

Quanto maior o esforço, mais doce será o sabor do prêmio. Quanto mais alto o preço, mais valioso  seu tesouro. Assim é com a sabedoria! Reflita sobre o esforço que você empreende para adquirir sabedoria. Você passa cinco minutos do seu dia lendo um capítulo de Provérbios, o livro da sabedoria da Bíblia? Esforça-se para participar de aulas, palestras ou seminários dirigidos por pessoas sábias e piedosas? Reserva um tempo em sua agenda para pedir conselhos a uma pessoa sábia? Gosta de passar um final de semana participando de alguma conferência que a ajude a tornar-se sábia nos caminhos de Deus?

Vivemos em uma sociedade comodista, de recompensas instantâneas. Queremos obter os resultados sem esforço, e queremos já! No entanto, vemos no exemplo da Rainha de Sabá uma disposição para sacrificar-se e empenhar-se, realizando o possível na tentativa de encontrar respostas para as questões da vida. Siga hoje o exemplo dessa mulher e tente obter uma preciosa pérola de sabedoria… e amanhã adicione outra… e depois mais outra! A sabedoria, essa sim, é o verdadeiro ornamento da alma!

Enfim… como tudo isso é verdade, em tudo. Já comentei algo mais ou menos assim em outro post, o “Emagrecer ou ser emagrecida?”: nós queremos o resultado sem passar pelo processo. Queremos um corpo saudável comendo de tudo e sem se exercitar. Queremos uma casa arrumada sem colocar a mão na massa (ou sem pagar pelo serviço). Queremos filhos obedientes sem termos o trabalho diário e exaustivo de colocá-los na linha e ensiná-los o certo muitas e muitas vezes ao dia. Mas já sabemos que não funciona. Sem trabalho árduo (e sem a graça de Cristo!), não há recompensa.

E assim é também com a sabedoria. Se você deseja ser sábia, deve buscar a sabedoria. E isso envolve ação, decisão, investimento de tempo. Envolve desligar a televisão, fechar as redes sociais um pouquinho (ou um belo tanto rsrs), e tudo isso diariamente… e se concentrar naquilo que é eterno, que vai te levar para o seu objetivo.

Que Deus nos ajude a buscar a sabedoria e ter a disciplina e coerência necessárias para escolher as atitudes que vão nos levar para isso!

Uma boa semana a todas!

Beijos,

Naná