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A vida comum do lar…

março 24, 2011

Quando eu era solteira e morava com os meus pais, sempre tive a sensação de que algumas coisas surgiam espontaneamente na casa. Piso. Tapete. Torneira.  Ralinho de pia. Linha telefônica. Internet. Cortina. Produtos de limpeza, papel toalha… a lista é longa, você também deve ter seus itens. São coisas que eu nunca parei para pensar de onde vinham… quem arruma isso? Sei lá, acho que ninguém. Deve aparecer sozinho na casa. Porque eu pelo menos, quando ia no supermercado, era para comprar bolacha, shampoo, no máximo um tomate ou uma lista feita pela mamãe com todos os itens agrupadinhos bonitinhos por categoria.

Aí casei. Ai que delícia, casei!! Minha casinha, não vejo a hora de chegar no meu apartamento, minhas coisinhas, vou guardar o guardanapo onde eu quiser, encher a dispensa de leite condensado e meu armário de tupperware vai ser organizado, vai ser organizado, TEM QUE SER organizado!!! Aí fui parar num apartamento sem lustre, sem cortina, com um armário de produtos de limpeza vazio e uma colaboradora olhando pra mim e perguntando “E aí Dona Ana, limpa o chão com o que??? Faz prega na calça??  Precisa arear as panelas???” Socorro. Calça não vem com prega? Não tem nada pra limpar o chão no armário? Fazer o que com as panelas???? Xi… entendi. Agora a casa é minha.

Legal esse lance de responsabilidade, como mocinha recém-casada saí empolgadíssima para comprar essas coisas que pra mim até ontem apareciam sozinhas na casa. Comprei ralinho de pia. Varal de teto. Lustre. Cortina. Procurei o significado de “arear” na internet. Ufa, o marido não gosta muito de prega na calça. Liguei pra mamãe e perguntei como limpa piso frio. Você pode me achar doidinha, mas a primeira vez que eu comprei Cândida e Veja no supermercado eu saí de lá feliz da vida. Puxa, eu tenho casa mesmo, até Cândida eu tô comprando!

Chego em casa. O ralinho não serve, o diâmetro do ralo é menor que o ralo. Tem que trocar. O varal de teto é mais largo que a parede. O lustre dos meus sonhos assim que foi instalado virou um armazém de bichinhos que entram lá dentro e não conseguem sair. Fora que o lustre da cozinha era pra 4 lâmpadas mas só tem entrada pra 3. E a cortina? Comprei pronta e ela ficou uns 15 cm acima do chão. Coisa de louco.  Fora que o Veja que eu comprei tem cheiro de lavanda, uuuuurghhhh….

E aí, quando a gente acha que já viu de tudo na vida, ha…. com dois meses de casado??? Você ainda não viu nada! A geladeira quebra.  A cortina mancha. A pia entope sem o ralinho que você não acha do tamanho certo. A internet cai, sai do ar, do sistema, sai pra todo lugar, resumindo ela sempre está onde não deveria. E o conserto sempre demora dias úteis. O sofá foi pro endereço errado. E mais!! Não deixa sua mãe ver seu armário de tupperware. Ele virou um jogo de varetas com tupperware. Puxa um, caem todos. Geralmente no chão. Cansada, você joga o tupperware lá dentro e fecha a porta rapidinho, se ficar ficou!!! Deseja sorte ao próximo que abrir aquela porta… que geralmente é você. Que geralmente não tem sorte. E enquanto você pega um por um no chão, em menos de dois meses você odeia admitir, mas já está pensando a inevitável sentença fatídica: “puxa… minha mãe tinha razão.”

E o tempo foi passando… dei um jeito na cortina, achei o ralinho finalmente. O marido deu um jeito no varal e ele agora funciona! Tiro os bichinhos do lustre de vez em quando. Aprendi a conviver com o tupperware. Já aprendi que eu não gosto de produto de limpeza com cheirinho de lavanda e outro dia até comprei Semorim! Definitivamente tornei-me uma exímia administradora do lar. Embora eu continue sem internet pra lá e pra cá.

E aí chegou a hora da mudança. Fecha as malas, vamos embora do apartamento prontinho. Vamos mudar para São Paulo. Que delícia, mudança!!!! Adoro mudança, quando eu era pequena achava mudar o máximo. Adorava fazer minhas duas caixinhas de brinquedo e escrever o que tinha lá dentro. Vamos voltar pra mais perto de todo mundo ai que sonho. E o melhor, agora já estou com dois anos e meio de estrada, vou tirar de letra. Vamo que vamo!

Só que a mudança de duas caixinhas sofreu um upgrade para 98 volumes. Ai é, a casa é minha! Não estava preocupada com as minhas roupas, mas sim com a louça. Puxa vida, virei adulta mesmo, preocupada com o jeito que o cara da empresa embala um copo???? É, os copos não se embalam sozinhos…

Vida nova. Apartamento novo. Não é nosso, é alugado. Ai que proprietário cuidadoso! Deixou tudo mobiliadinho, que beleza. Tem até geladeira ai que bom, a minha me irritava. Ele se ofereceu para deixar a mesa de jantar no apartamento, que bonzinho! Ai que ótimo, demos muita sorte. Morar aqui vai ser um sonho.

E chegou a mudança. A cama não cabe direito no quarto de casal. A parte elétrica do apartamento é toda confusa, fora que mudamos para uma cidade 220V e TOOOOODAS as nossas coisas são 110V. Fui atrás do eletricista. Ele não aparece. Para ele aparecer, só daqui a X dias úteis. A geladeira não tá gelando… a geladeira do homem quebrou. O vento lá de fora apaga a chama do aquecedor e vaza gás toda vez que a gente toma banho no chuveiro a gás? Ah, então é por isso que no outro banheiro tem chuveiro elétrico…

O ralinho da pia veio errado de novo. Tem que comprar outro. A mesa de jantar é enorme, as cadeiras são maiores ainda e atrapalham a circulação pela casa. O piso é diferente, eu não sei limpar esse!!! E a linha telefônica, quem disse que dá para instalar? O pessoal da empresa erra o endereço toda hora. E eu estou sem internet.

Sentada no sofá olhando para tudo isso, chego a uma conclusão: isso é a vida comum do lar. Talvez você já tenha passado por tudo isso. De uma coisa eu sei: não passei por nada ainda!!! E aí entendemos o motivo pelo qual Deus nos chama a uma missão tão nobre… cuidar da casa é tarefa das mais pepinosas possíveis! E podemos fazer isso com atitudes bem diferentes: reclamando ou não. Murmurando ou não. Pensando que os dias passados foram melhores do que os de hoje… ou não. E isso só depende de nós, como vamos escolher cumprir essa tarefa?? Infelizmente não é sempre que escolho o “não”. Porque não é fácil mesmo! Mas é o que Deus quer de nós. E nos capacitará a fazer, se dependermos dEle todos os dias.

Que Deus nos ajude SEMPRE a escolher o “NÃO”, e a aprender com todas essas pequeninas batalhas que a “simples” administração de uma casa impõem sobre nós…. aprender que Deus é bom, e que todas essas encrenquinhas são coisas que Ele permite que atravessemos para sermos fiéis e gratas nos pequenos desafios… para que Ele nos encontre assim nos grandes também!

Beijos,

Naná sem internet há uma semana, ainda sem telefone fixo, tomando banho no chuveiro elétrico…. mas uma coisa eu tenho orgulho de dizer: RESOLVI MEU ARMÁRIO DE TUPPERWARE!!! Quer uma dica? Guarde todas as TAMPAS numa gaveta separada dos potinhos. Isso mudou meu relacionamento com eles. Quem sabe não muda o seu também?? Hehehehe….

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8 Comentários leave one →
  1. Isabella permalink
    março 25, 2011 1:37 am

    Hehehe! Estou quase entrando pra essa vida do lar e tenho tentado me preparar, mental e espiritualmente, pq como vc disse, nem sempre é fácil escolher a coisa certa! Que Deus sempre nos fortaleça! Adorei o texto como sempre!!hehe me imaginei em cada situação dando muita risada!! Que Deus continue te abençoando! Bjinhos

  2. Enira permalink
    março 25, 2011 3:06 am

    Nana,
    Me diverti muito com o seu artigo.
    Pode crer, me vi igualzinha a você. Vivi e vivo sempre tudo isso e talvez um pouco mais.
    Olha, saiba de uma coisa, até aprendi com as suas experiencias. É claro, estou falando das tampas Tupperware.
    Bem, no final das contas, estamos no mesmo barco, as vezes em mar revolto, outras de pura calmaria. E pensar que você está há pouco mais de dois anos nessa trajetória e eu… bem eu já vou completar quarenta e três. Ufa!!! Viva a Vida de Casada. Obrigada Senhor!

  3. Monise permalink
    março 25, 2011 1:21 pm

    Adorei esse texto!!! Não é que cai como uma luva?
    Minha solução para o tupperware foi um gavatão na cozinha, feito sob medida,aí eles não escorregam…. Bjos. Monise

  4. Érica permalink
    março 25, 2011 5:35 pm

    Acho que realmente esta é a vida de todas nós donas de casa… muito divertido a forma como você retrata as coisas do nosso cotidiano. E agora eu to vivendo um novo drama administrar todas estas coisas e mais as fraldas, mamadas e etc…. parecia que não ia dar conta…Mas é muito bom! você vai ver.

  5. Fernanda permalink
    março 25, 2011 8:28 pm

    Oi Nana!!! Amei o seu artigo!!!! Super divertido!!!! Imagino que todas as mulheres que leram se identificaram com as suas experiencias!!!! :O) Depois voce me conta como vai ficar seu armario de tupperware quando seu filho/a descobrir como abre a porta!!!! :O) Bom final de semana e que seja muito abencoado!!!!

  6. Sonia Maria Rente Gonçalves permalink
    março 28, 2011 2:45 pm

    Oi Naná,

    Minha filha Juliana , 27 anos solteira e morando conosco, me repassou seu texto,
    me diverti e me lembrei de muitas coisas bem lá de tras, como é bom ver o tempo passar
    Vou completar 30 anos de csada em maio próximo
    Quando me casei era recém formada e era arrogante…pensava comogo mesma…se consegui fazer uma faculdade vou tirar de letra ser dona de casa.
    Era arrogante ao ponto de não deixar nem minha mãe me ensinar nada ,ela era ultrapassada.
    Aprendi fazendo errado primeiro, depois de algumas tentativas acertava.
    O tempo passou… e todos esses maravilhosos “detalhes” do dia-a dia continuam…
    Sempre falo p/ Juliana : o shampoo e o papel higienico não aparecem sózinhos…
    Porém , ela diferente de mim, ouve e me dá a maior força nos afazeres que eu delego a ela.,mesmo sendo também uma universitaria e futura dentista .
    Hoje não sou mais uma profissional e sim uma mãe, secretaria ,administradora, arrumadeira, cozinheira, lavadeira e tudo mais que esta envolvido em ser uma auxliadra idônea de Gn 2:18. Louvo a Deus por ter mudado minha arrogancia e ter colocado em mim um imenso prazer em servi-lo atraves dos meus afazeres diarios.
    A propósito, hoje meu armário de tupperware é arrumado, pois só eu mexo nele e as crianças já cresceram e não bricam mais com as tampas….sabe… sinto saudade deles brincando no chão da cozinha.
    Agora está na hora de virem meus netos…
    Um abrço Naná

  7. Marcia permalink
    abril 8, 2011 4:56 pm

    Olá Naná, uma amiga me passou seu blog, entrei pra dar uma olhadinha e gostei,, gostei mesmo!!
    Me identifiquei com muitas das suas experiências. Definitivamente, vc não está sozinha não. Moro longe da família, cristã, como vc, marido engenheiro, e sou farmaceutica atualmente trabalho em casa, mas área de saúde, como vc…e por fim somos até xarás. Dessa forma, creio q o Senhor me deu ler esse texto, pois especialmente hoje, meu dia até tem sido bastante difícil,, e concordo com vc quando diz q nós é que decidimos como queremos reagir a todos os atropelos da vida… Obrigada por compartilhar e saiba q você foi instrumento de Deus em minha vida hoje.
    Abraço Marcia.

  8. abril 15, 2011 3:18 pm

    Oi Naná! Acabei de descobrir seu blog e estou encantada! Me identifico com seus relatos, isso que ainda não faço parte da turma casadinha – por pouco tempo.
    Achei o máximo você tirar proveito dessas pequenas situações cotidianas para compartilhar e edificar vidas!
    Que Deus continue abençoando e usando sua vida!
    Com carinho

    Mari Mazzei

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