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Uma cartinha… para uma mamãe de primeira viagem

maio 27, 2014

Oi amiga! Como estão as coisas por aí? Acho que sei um pouco como estão…. hehe… e por isso resolvi escrever uma cartinha. Nada muito longo, porque afinal, nem você nem eu temos tempo para grandes cartas rsrs, mas só queria compartilhar um pouquinho do que eu, em minha “vasta” experiência de mãe de dois pequenos, aprendi e tenho aprendido.

Talvez você até imaginasse durante a gravidez como seria a sua vida quando o fofinho aí do seu colo chegasse: você ouviu pessoas falando sobre noites sem dormir, sobre passar o dia de pijama, sobre não ter tempo para muita coisa, bla bla bla. Mas a verdade mesmo é que a chegada de um filho, e especialmente o primeiro, é uma transformação imensa, completa e irreversível na vida. A gente até imagina, mas na verdade mesmo… a gente não tem ideia!

Aí um dia, seja por qual via de parto e método escolhido, o bebê chega… e tudo vira completamente de ponta cabeça. O cansaço vem com tudo, invade sem pedir licença, e por algum motivo as pessoas mais velhas, mais experientes ou mesmo as total inexperientes parecem vibrar quando você diz que não dormiu a madrugada toda. O marido vira piada no trabalho, o chefe pergunta se ele está dormindo bem e sai dando risada, o bebê acorda e acorda e acorda, chora, chora e chora, e sempre tem alguém bem intencionado olhando pra você e perguntando e aí mãe, o que é? Sim, afinal a mãe sempre sabe o motivo do choro do bebê, certo? Errado!!! Nos primeiros dias, errado! Mas ninguém arrisca ir de frente com essa linda frase, e assim vamos seguindo inseguras e com um baita peso nas costas de, de uma hora pra outra, assumir 100% a responsabilidade por um bebezinho indefeso de tudo!! Tem horas que literalmente a gente tem vontade de gritar de cansaço (pelo menos eu tive! Ou melhor, tenho! Rsrs), e em seguida se culpa claaaro, porque afinal de contas, não é esse o bebezinho por quem eu tanto orei, esperei, pedi, sonhei?? Como eu posso não estar VIBRANDO de felicidade com ele ali no meu colinho chorando? Como eu posso estar tão desejosa por uma – só uma – noite inteira e completa de sono?

Eu me lembro como se fosse ontem de quando a Ester era pequenininha, muitas vezes eu me fechei no banheiro, ou era pela casa mesmo se eu estivesse sozinha rsrs…. e chorei! Não chorei pouco não, chorei muito. Chorei de soluçar, de deixar o olho inchado uns dois dias depois. Como disse uma blogueira outro dia, “Chorei porque tinha saudades de dormir a noite inteira, porque queria escolher que hora ia comer e tomar banho sem ouvir um chorinho do lado de fora, chorei porque me sentia uma porcaria de mãe por estar chorando, quando na verdade eu devia era estar cheirando e curtindo minha bebê”. Pior: chorei sem nem saber o motivo!!!! Mas chorei…  e por um bom tempo escondi, mas depois parei de esconder e hoje levanto a bandeira: chore! eu acho, do fundo do meu coração, que esse sentimento é legítimo, é intenso, e é lícito. Mas… não pare por aí. Não chore só para as paredes, isso teria um alívio limitado e pouco eficaz. Chore para Deus. Ele sabe! Ele entende. Ele é Pai, onipresente e onisciente, entende o que é cuidar de filhos. E é onipotente! Ele é capaz de restaurar as nossas energias quando a gente pensa que não tem mais de onde sair pique para levantar nas madrugadas geladas… Chore para Deus, porque Ele nos ama, cuida de nós, conhece nossas aflições e se preocupa com cada uma delas. E Ele há de ampará-la nos momentos de maior tensão, cansaço e esgotamento.

Sabe, ter um filho é TORNAR-SE mãe. E TORNAR-SE é transformação. E como dizem por aí, toda transformação dói, porque para se transformar, a gente precisa deixar-se morrer um pouquinho.  Mesmo que meus filhos não estejam comigo em alguma situação, e eu realize o bobo sonho (mas legítimo e real! Kkkk) de jantar uma refeição sem pressa, sem babadores, sem agito, aquela Naná que fazia isso antes de ter filhos não está mais por aqui. Entende? Mudou! E essa mudança tem dois lados: se por um deles você se descobre uma pessoa mais determinada, mais intuitiva, mais segura, por outro você descobre um lado seu que você preferia não ter conhecido… porque o cansaço da maternidade tem esse “poder”, de revelar quem realmente somos, e isso quase sempre é bem ruim. Puxa, a maternidade revelou muito do meu orgulho, egoísmo, imaturidade e olha, a lista é longa. Mas o melhor de tudo? A revelação desse lado ruim que meu coração escondia me tornou ainda mais consciente e dependente da graça de Deus, do seu perdão imerecido, e me fez entender e compreender ainda mais o amor de Deus por mim. Então, mesmo a descoberta desse nosso lado “ruim” pode ser revertida, se colocarmos nossa vida sempre aos pés da cruz, na dependência de Cristo, clamando a Ele para nos ajudar a viver a intensa maternidade com sabedoria, caráter e retidão.

Ah, mas eu vou te falar uma frase básica e universal agora. Eles crescem. E pode acreditar, crescem rápido demais. Esse comecinho é tão, mas tããããããão intenso que às vezes a gente se sente meio que engolida pela vida, pensando que vai ser assim pra sempre agora. Chega a dar um certo pânico (mas a gente não admite) de pensar que aquele bebezinho vai ser sempre tão dependente, tão grudado na gente pra tudo. E aí caímos no perigoso terreno de focar nos dias futuros: “ah, não vejo a hora dele fazer três meses”, “ah, quando ele engatinhar”, “ah, quando ele tirar a fralda”…. ou então, nos dias passados: “ah, que saudade de sair para jantar com meu marido no meio da semana”, “ah, quando eu fazia academia”….. Um dia ouvi num desenho infantil uma tartaruga sabidona falando que o passado é um museu, e o futuro é uma neblina; o hoje é uma dádiva, e por isso se chama… PRESENTE! Fiquei com isso na cabeça, e de tempos em tempos me forço a lembrar disso. Sabe quem mais disse isso? Davi! “Este é o dia que o Senhor fez; nele me alegrarei e celebrarei” (Salmo 118:24). Sabedoria do salmista diretamente aplicada ao coração da mamãe cansada: viva o hoje, não viva ansiando pelas próximas fases do seu bebê, porque elas inevitavelmente chegarão… e MUITO, mas MUITO mais rápido que você agora imagina. Lembro que nos dias intermináveis de cólicas da Ester as pessoas me falavam “calma, são só três meses”… e eu falava “TRÊS MESES??? TRÊÊÊÊS MESEEEES DE CÓLICA????” E hoje ela está aí, quase três anos, fofa e adorável, sem cólica nenhuma e já não tenho funchicória em casa faz tempo (claro que os desafios agora são outros, mas esses ficam para outra cartinha!) !!

Também percebi uma coisa nisso tudo: muitas pessoas dizem essa frase “eles crescem”, em tom de consolo. Algo do tipo “aguenta firme, eles crescem”. Mas tenho pessoas muito sábias ao meu redor que me deram um novo entendimento e um novo tom a essa frase. Elas me dizem “eles crescem”, em tom de advertência. Algo do tipo, “preste atenção, pois eles crescem”. De novo: é tão rápido, tão passageiro… que se você passar esses dias pensando no futuro ou no passado, vai perder o melhor da história.

Então assim, nessa cartinha um pouco fora do convencional para uma mamãe, queria muito que você soubesse que não está sozinha, e não pense que precisa dar conta sozinha não, “porque não sei quem e não sei quem dão conta”. Não compare os seus bastidores com o palco das mães que você vê por aí. É difícil PARA TODAS.

…E chore para Deus. Ele quer te ouvir. Quer te ajudar. Viver a vida em função de outra pessoa é um desafio imenso e intenso… e quem melhor do que Aquele que DEU a própria vida em favor de outras pessoas para nos ajudar na caminhada??

Bola pra frente, e estamos juntas nessa hein, aprendendo a ser mãe, aprendendo a ser filhas, aprendendo a ser servas de Deus!

Conte comigo com o que precisar!

Beijos com muito carinho,

Naná

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6 Comentários leave one →
  1. Adriana de Paula permalink
    maio 27, 2014 7:39 pm

    Lindo e muito real!! Verdade verdadeira!!! Hihihihih!!!

  2. Melissa permalink
    maio 28, 2014 11:08 am

    Nossa Naná! Que lindo! Eu ainda não sou mãe, serei em breve, em nome de Jesus! Mas sempre pensei sobre isso da forma como você falou. Devido a um tratamento eu tive noites insones infinitas, e chorava de pura exaustão! Imagino o mesmo com um bebezinho em casa!
    Que Deus nos capacite e nos sustente nessa tarefa linda que é ser mãe!

  3. Marli Cesar Paternostro permalink
    maio 28, 2014 8:00 pm

    É isso aí, estou me vendo a um tempo atrás. Bjks

  4. Lorely permalink
    maio 30, 2014 10:27 pm

    Amei e amém!

  5. adriana merkh permalink
    junho 1, 2014 3:23 am

    É isso,exatamente isso!vc consegue por em palavras aquilo q sentimos e nao conseguimos explicar…Deus continue usando mto sua vida !!!!!beijos nos pequenos 🙂

  6. Eliane permalink
    junho 15, 2014 10:37 pm

    Nossa chorei ao ler, o meu lindo filho nasceu dia 28, parece que escreveu pra mim! Muito bonito”

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