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O pneu furado

junho 8, 2016

Puxa, que saudade do blog. Saudade real. O acúmulo de funções da nova vida de professora em tempo integral, mãe de duas crianças pequenas em tempo integral, esposa em tempo integral e dona de casa no tempo que sobra (oi?? Vida longa ao freezer e aos marmitex!), me fez escolher deixar de escrever no blog por um tempo. Não esqueço dele não, aliás fico num misto de alegria e constrangimento sempre que alguém carinhosamente me lembra dele. Gostaria de escrever mais. Escrever me faz tão bem!!! Fiquei animada com uma recordação carinhosamente compartilhada por uma seguidora hoje, a Juliana, e resolvi escrever.

No final de novembro do ano passado, busquei meus dois filhos na escola no final da tarde e estávamos começando nossa viagem de volta para casa (moro a 60km do trabalho e escola das crianças). Na primeira curva, primeiraaaaa, estraçalhei o pneu do carro num buraco gigante, que sempre esteve lá, mas que dessa vez eu me distraí porque estava procurando o cd do sapo que não lava o pé, que duas pessoas ansiosíssimas pediam sem parar. Pronto. Pneu furadíssimo. Eu e duas crianças. 60km de distância de casa. Marido em casa. Marido a 60km de distância.

Não, eu não sei trocar pneu, e na verdade vocês me desculpem e tal, mas falo isso numa boa, não sei mesmo e queria o meu marido ali. Um pânico brotou no meu coração naquela hora. O que é que eu vou fazer? O cenário é sempre o pior, “vai anoitecer logo logo e eu aqui sozinha com eles dois no meio da rua, vão aparecer 250 bandidos mascarados malignos etc etc etc”. Fiquei super nervosa. Consegui encostar num posto de apoio que tinha ali bem perto e pensei “e agora?”.

Enquanto todo esse cenário pavoroso se passava pela minha cabeça e eu tentava pensar no que fazer, ligava pro marido, e tentava achar o telefone do seguro, ou da escola, ou de alguém que morasse ali por perto e que pudesse me ajudar, olhei para o banco traseiro. Ali, encontrei duas crianças animadíssimas: “e sepe ne leve e pê, ne leve perque ne quê… ele mere Le ne leguêe, ne leve e pê perque ne quê, mês que chelê!! I sipi…..”

Nem aí. Meus dois filhos não estavam NEM AÍ. Cantavam como antes, tranquilos e numa boa. Olha, a mamãe parou o carro! Ô sopo no lov….

Nem aí. Olhei para eles e comecei a chorar. Me deu vontade tremenda de ser filha naquela hora. Sim, de ser “só filha”. De estar naquele carro, o pneu furar e eu continuar numa boa, porque a mamãe estava ali. O papai certamente chegaria se precisasse, mas a mamãe estava ali. Ela deve cuidar disso. Tranquilo, vida que segue. U supu….

Depois de algum tempo, consegui contato na escola das crianças e um pai comovido com a situação passou lá no posto e trocou o pneu pra mim, em menos de 10 minutos. Como ele foi com o filho, coloquei o menino com os meus dois no carro e arrumei um pacote de biscoito de chocolate. Comeram animadíssimos, ao som do sapo e do pirulito que bate-bate. Terminado o serviço, agradeci até ficar rouca praticamente, e voltei pra casa.

Quando entrei em casa, a primeira coisa que as crianças falaram para o pai foi: “Pai!! Hoje foi muito legal! A mamãe parou o carro e a gente fez piquenique com um menino da escola!!!!!”

Meus olhos marejaram de novo. Ah… como é diferente a perspectiva dos pais e dos filhos! Meu papel ali era de cuidar de tudo. Fiquei tensa, nervosa, com medo, preocupada. Meus filhos curtiram o programa diferente. A mamãe estava ali. E, graças a Deus, tudo acabou bem.

Sabe por que eu lembrei dessa história? Porque eu estou passando por uma fase de “pneu furado” na vida. Quatro dias depois desse episódio do carro, meu marido perdeu o emprego. Isso foi há seis meses. As perspectivas no Brasil, como vocês devem saber, não são nada animadoras. Eu, como mãe, esposa, mulher, tudo, me preocupo com isso, me preocupo mesmo! E queria ser só filha de novo. Minha mãe me conta que meu pai ficou quase cinco anos desempregado quando éramos pequenos…. e eu? Eu nem lembro disso!! Devia estar comendo bolacha de chocolate e cantando pintinho amarelinho. A mamãe e o papai estavam ali. E, graças a Deus, tudo acabou bem.

Em meio a essa tensão e de pensar no quanto eu queria “ser filha”, fui lembrada de algo valioso. Eu SOU filha. Espera aí… eu sou filha! Filha de alguém que tem absolutamente tudo sob controle. Filha de alguém que até o vento e o mar obedecem à sua voz. Sou filha de Deus, o meu Pai, e Ele me lembrou nessa história toda de que, na vida, o meu papel é o de descansar… o Dele é o de guiar a minha vida de tal forma que eu não precise me preocupar com nada. “Aquietai-vos… e sabei que EU SOU DEUS”. (Salmo 46:10)

Filha, relaxe… descanse. O Papai está aqui. Faça a sua parte. “Coma a sua bolacha, cante suas músicas”. Eu estou cuidando de tudo. Não é seu papel ficar tensa, nervosa, com medo, preocupada. Descanse em mim. Eu estou aqui. E, como sempre tem sido, tudo vai acabar bem.

É… meus filhos me lembraram de mais uma: EU SOU FILHA… e posso descansar nisso. Como é bom ter um Pai que cuida de tudo!

Beijos a todas,

Naná

Obs: espero não ter deixado você com a música do sapo na cabeça. Mas, se deixei… bem-vinda ao meu mundo!

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7 Comentários leave one →
  1. Thaís SJ permalink
    junho 8, 2016 3:53 pm

    Amiga, chorei sozinha em pleno restaurante japonês! Te mato!
    Escreva mais!
    E que nossos pneus furados se emendem logo. Amém!
    Beijo no ❤️

  2. Juliana permalink
    junho 8, 2016 9:47 pm

    Nossa Nana! Quem marejou agora fui eu! Mais um texto emocionante e direto ao ponto! Que Deus continue te usando pra nos edificar.
    Obrigada!

    Ps: posso compartilhar? 😉

  3. meapba@uol.com.br permalink
    junho 9, 2016 12:38 am

    Saudade de ser abençoada com seus textos e de poder ter a certeza de que o Pai está por perto.

    Beijos Naná, fica em paz e estamos orando por voces , por suprimento e provisão.

    Cléo

  4. junho 9, 2016 2:28 pm

    Oh Naná, obrigada pelo lindo texto que aqueceu meu coração hoje. Como o mais simples pode ser ao mesmo tempo tão dificil né…
    Grande beijo, e torcendo pras coisas se ajeitarem logo por aí!
    bjs

  5. Karina permalink
    junho 9, 2016 2:50 pm

    Que saudades! Como sempre que mensagem abençoada, me emocionei. Como é bom lembrar que somos filhos de Deus e que Ele cuida de nós. Beijos

  6. Neusa Mendes permalink
    junho 14, 2016 12:56 pm

    Nana estou muito feli que voce,arrumou um tempinho para esccrever,um de ve em quando vai faer muito bem

    Date: Wed, 8 Jun 2016 15:39:10 +0000 To: neusapmendes@hotmail.com

  7. Marcia permalink
    junho 15, 2016 9:42 pm

    Naná, escreva mais, você tem o dom! amei o texto.
    Ainda bem que temos pneus furados pra nos fazerem lembrar da nossa dependência de Deus! abraços

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